25 junho 2009

Hahahahaha

Ri-te. Ri-te até se queixar o rosto. É para isso que o és. Deixa-te ir, galga a mais alta colina, assenta os pés descalços na terra despida, abre os braços, estica-os às nuvens – e grita. Grita tanto quanto consigas. Grita o que te apodrece o pensamento, grita o que amontoas na garganta, grita o fardo que te submerge o corpo… e afasta-os em sopro. Vê-os a dissolver-se na brisa e a não tornar – os assombros da tua alma. Estás leve, estás livre. Não te acanhes, não te encubras, não fujas mais. Pula, baila, assobia, trauteia. Cerra os olhos, cerra os punhos, sente a pulsação nas tuas mãos, sente-a bem – crê que estás viva. Sê realista, sê egoísta! Não cries expectativas, não sonhes, não acredites? Larga a mala no chão, as portas abertas, os cabelos soltos, vai, vai, não te detenhas senão quando chegares. Não desistas, não esmoreças, não consumas esse alento que é tão teu, que é tão certo.
Que outro motor haverá?

1 comentário:

nutmeg disse...

Excelente texto :).